terça-feira, 10 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
- Se Deus fosse nerd teria criado o mundo em 6 edições e na 7a. o Alan Moore assumiria.- Se Deus fosse geek teria criado o mundo em 6 fases (ou níveis) e na 7a. haveria easter eggs.
- Se Deus fosse George Lucas ele faria o mundo em 6 episódios e o 7o. na verdade seria o primeiro.
- Se Deus fosse o Capitão Kirk ele faria o mundo em 6 datas estelares e na 7a. ele gritaria Khaaaaaaaaaaan!
- Se Deus fosse político faria o mundo em 6 dias de obra superfaturada e no 7o. sairia ileso na CPI.
- Se Deus fosse usuário do Twitter faria o mundo em 6 dias de 140 caracteres e no 7o. só daria RTs.
- Se Deus fosse o Batman faria o mundo em 3 dias, em 2 dias derrotaria sua galeria de vilões e em mais 1 dia derrotaria o Super-Homem descontrolado, e no 7o. ficaria lamentando a morte dos pais.
- Se Deus fosse baiano passaria 6 dias pensando em fazer o mundo, mas no 7o. desistiria e iria atrás do Trio Elétrico.
- Se Deus fosse carioca, manja, faria o mundo em 6 diashhh, e no 7o. recolheria as balas perdidas.
- Se Deus fosse Quentin Tarantino, faria o mundo em 6 motherfucker filmes e no 7o. seria apenas o roteirista.
- Se Deus fosse o Super-Homem faria o mundo em 6 dias e no 7o. giraria a Terra ao contrário para descansar a semana inteira.
- Se Deus fosse gaúcho, tchê, faria 6 churrascos em 6 dias e no 7o. não tinha isso de descansar não.
- Se Deus fosse técnico de futebol faria o mundo em 6 partidas e a 7a. seria um amistoso.
- Se Deus fosse fosse a Xuxa faria o mundo em xeis dias e no xétimo iria embora levando o seu anjo.
- Se Deus fosse o locutor da Sessão da Tarde aprontaria altas confusões em 6 dias cheios de muita loucura e no 7o. reprisaria.
- Se Deus fosse americano faria os EUA em 6 dias e com que sobrasse faria o resto no 7o.
- Se Deus fosse o MacGyver faria o mundo em 6 dias com um clip e um pedaço de papelão e no 7o. escaparia dele.
- Se Deus fosse cubano faria o mundo em 6 revoluções e na 7a. já teria camisas com sua cara circulando por aí.
- Se Deus fosse burocrata faria o mundo em 6 vias e a 7a. teria de ser autenticada em cartório.
- Se Deus fosse brasileiro faria o mundo em 6 dias, ficaria uma droga, mas no 7o. ele continuaria, pois é brasileiro e não desiste nunca.
- Se Deus fosse o Capitão Nascimento faria o mundo em 6 treinamentos e no 7o. ia subir um morro pra relaxar.
- Se Deus fosse camelô ele faria o mundo em 7 dias pelo preço de 6 e você ainda levaria uma caneta BIC quatro cores de grátis.
- Se Deus fosse o Paulo Coelho faria o mundo em 6 livros muito chatos e no 7o. entraria para Academia Brasileira de Letras.
- Se Deus fosse o Hulk esmagaria o mundo em 6 dias e no 7o. se perguntaria como diabos a calça dele não rasga.
- Se Deus fosse o Sérgio Mallandro faria "glu glu" por 6 dias seguidos e no 7o. "I love you yeah yeah".
- Se Deus fosse o Sílvio Santos faria o mundo em 6 rodadas do Pião da Casa Própria e na 7a. abriria as Portas da Esperança.
- Se Deus fosse as Casas Bahia faria o mundo em 6 vezes sem juros e a 7a. prestação você só pagaria em janeiro.
- Se Deus fosse Chuck Norr... hã, oi, errr... como vai seu Norris. Eu sei, eu sei, não tem isso de SE. Não, não vou esquecer.
Vi no parceiro Toca do Calango.
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Cidade de Deus
A lista da publicação considerou filmes lançados entre 2000 e 2009. De acordo com a revista, a produção brasileira leva "um olhar sem medo a um mundo esquecido pelos ricos e poderosos, ignorado pela polícia e alheio à lei e à ordem", fato que fez com que ele ficasse com a primeira posição.
Em 2004, o filme foi relançado nos cinemas dos Estados Unidos depois de não conseguir um lugar para concorrer ao Oscar.
O filme de Fernando Meirelles também apareceu na revista "Time" como um dos 100 melhores de todos os tempos.
Veja abaixo os primeiros 10 colocados da lista:










Fonte: Yahoo
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A verdade sobre a nostalgia
Acadei de dar um check up geral na situação, o que me levou a rever Pulp Fiction:
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
ser uma pessoa má
As pessoas boas dormem muito melhor à noite do que as pessoas más. Claro, durante o dia as pessoas más se divertem muito mais.
Woody Allen
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William Butler Yeats’s
LEDA AND THE SWAN
A sudden blow: the great wings beating still
Above the staggering girl, her thighs caressed
By the dark webs, her nape caught in his bill,
He holds her helpless breast upon his breast.
How can those terrified vague fingers push
The feathered glory from her loosening thighs?
And how can body, laid in that white rush,
But feel the strange heart beating where it lies?
A shudder in the loins engenders there
The broken wall, the burning roof and tower
And Agamemnon dead.
Being so caught up,
So mastered by the brute blood of the air
Did she put on his knowledge with his power
Before the indifferent beak could let her drop?
LEDA E O CISNE
Súbito golpe: as grandes asas a bater
Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada
Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter;
O peito inane sobre o peito, ei-la apresada.
Dedos incertos de terror, como empurrar
Das coxas bambas o emplumado resplendor?
Pode o corpo, sob esse impulso de brancor,
O coração estranho não sentir pulsar?
Um tremor nos quadris engendra incontinenti
A muralha destruída, o teto, a torre a arder
E Agamêmnon, o morto.
Capturada assim,
E pelo bruto sangue do ar sujeita, enfim
Ela assumiu-lhe a ciência junto com o poder,
Antes que a abandonasse o bico indiferente?
tradução Pércicles Eugênio da Silva Ramos
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
mingau
Vivenciamos nossa vida em forma de narrativa. Se você não consegue organizar as coisas de modo narrativo, sua vida é uma tigela caótica de mingau.
Jonathan Franzen
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dylan thomas’s
MORTES E ENTRADAS
Quase às vésperas incendiárias
De várias mortes próximas,
Quando alguém ante os despojos de quem mais amaste,
E desde sempre conhecido, tenha de abandonar
Os leões e as flamas de sua volátil respiração,
Quem dentre os teus amigos imortais
Elevaria o som dos órgãos do pó inventariado
Para lançar e cantar os teus louvores,
O que mais fundo os invocasse conquistaria a sua paz
Que não pode se afogar ou se esvair
Sem fim junto à sua chaga Nas muitas e alienantes dores
conjugais de Londres.
Quase às vésperas incendiárias
Quando diante de teus lábios e chaves,
Fechando, abrindo, se entrelacem os estranhos assassinados,
Aquele que é o mais desconhecido,
Teu vizinho, a estrela polar, sol de uma outra rua,
Mergulhará em tuas lágrimas.
Ele há de banhar teu sangue chuvoso no másculo oceano
Que percorrerá teu próprio morto
E fará girar sua esfera fora de teu fio de água
E entupirá as gargantas das conchas
Com todos os gritos desde que a luz
Começou a jorrar através de seus olhos tonitruantes.
Quase às vésperas incendiárias
De mortes e entradas,
Quando próximo e estranho, ferido nas ondas de Londres,
Hajas procurado a tua tumba solitária,
Um inimigo entre muitos, que bem sabe
Como cintila o teu coração
Nas trevas vigiadas, pulsando entre furnas e ferrolhos,
Arrancará os raios
Para tapar o sol, mergulhará, galgará tuas teclas sombrias
E fará definhar os ginetes para que recuem,
Até que aquele despojo adorado
Avulte como o último Sansão de teu zodíaco.
(tradução: Ivan Junqueira)
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Olha o passarinho
Estava sentado num bar noite dessas, falando razoavelmente alto sobre uma pessoa a quem odeio. Então um homem barbudo se sentou ao meu lado e disse de forma discreta: “Por que você não manda matá-lo?”
“Já pensei nisso,” eu disse. “Não pense que não”.
“Deixe eu te ajudar a pensar nisso com clareza”, ele disse. Sua voz era profunda. Ele tinha o focinho grande. Usava terno preto fora de moda e gravata estreita. Sua pequena boca era obscena. “Você está olhando essa situação através de uma névoa vermelha de ódio”, ele disse. “Você precisa da cautela e perspicácia de um consultor de assassinatos que possa planejar o serviço para você e te economizar uma visita desnecessária ao xadrez”.
“Onde encontro um?”, eu disse.
“Você já encontrou um”, ele disse.
Kurt Vonnegut
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Almoço na Serra no Domingo de Carnaval
Na subida da serra uma mulher pequena, de chapéu de abas largas,
fez sinal pedindo carona. Usava minissaia de cetim, bustiê de lantejoulas vermelhas, luvas brancas longas quase até o cotovelo. Parei o carro.
Vai subir? Voz de falsete. Dentes ruins. Batom vermelho brilhante. Tinha qualquer coisa numa das vistas, ligeiramente fechada e remelenta. Pestanas pintadas de rímel.
Não. Desculpe, eu disse acelerando o carro.
Se fosse uma mulher eu a teria levado comigo. Vergonha de dar carona para um travesti? Medo do travesti? Ele era tão frágil mas eu tinha medo dele? Era isso? Ou eu me aborrecera por ele não ser uma mulher e eu queria que o destino pusesse na minha frente uma mulher que me levasse para outro lugar que não aquele para onde eu estava indo?
Ao ver o muro de cerca viva senti um aperto no coração. Quando atravessei o portão de pedra comecei a chorar. Dei marcha à ré e segui pela estrada. A última vez que eu havia chorado fora há tanto tempo que eu até tinha esquecido como era.
Voltei, agora podia olhar a casa sem sobressaltos. Aquelas árvores estavam ali desde o início do mundo, e também os pássaros, os sapos, os esquilos e o lagarto preto de manchas amarelas que habitava a beira do rio.
A senhorita Sônia está na piscina, vou conduzi-lo até lá, disse o copeiro que me recebeu na varanda da casa.
Não é preciso, sei o caminho.
Carros nas alamedas. O gramado e o jardim estavam bem cuidados. Havia caramanchões novos, cobertos de trepadeiras.
Parei a certa distância da piscina cercada de mesas cobertas por enormes guarda-sóis coloridos. As pessoas em trajes de banho deitavam-se em espreguiçadeiras, nadavam, conversavam, bebiam e comiam salgadinhos servidos por garçons de preto. "Apenas um grupo de amigos mais chegados", dissera Sônia. Eram umas cem pessoas.
Você que é o Zeca?, perguntou uma garota vestida com uma pequena tanga. Eu sou Suely, irmã da Sônia, ela está na piscina. Por que você não veste a sua roupa de banho?
Eu não trouxe.
Suely segurou a minha mão. Vem que eu vou te arranjar um calção.
Não, eu não quero tomar banho de piscina.
Você está muito pálido, com uma cor horrível.
Não quero, obrigado.
Quer beber alguma coisa?
Não obrigado. Me faz um favor? Chama Sônia pra mim.
Eu não queria ser apresentado àquela gente, sorrir, apertar mãos.
Sônia veio correndo. Seu corpo queimado de sol parecia feito de cobre. Quis me beijar na boca, mas eu virei o rosto.
O que é? Está zangado?
Não. Vai botar o teu calção de banho. Eu não trouxe calção de banho.
Eu te arranjo um. A água da piscina está uma maravilha.
Eu não quero tomar banho de piscina.
Você está branco demais. Destoante.
Destoante do que ou de quem?
De mim, por exemplo. Sônia riu, dentes muito brancos. Vem que eu quero te apresentar minha mãe e meu pai.
Depois.
Eles querem muito conhecer você.
Depois.
O que é que você tem?
Nada. Tua casa é bonita.
E você ainda não viu tudo, este sítio é enorme. Está vendo lá adiante? Tem um bosque tão grande que a gente até se perde dentro dele. E do outro lado do rio tem um pomar com mais de mil árvores frutíferas. Só jabuticabeiras são mais de cem.
Surgiu ao nosso lado um homem de calção de banho, segurando um copo. Ele colocou a mão com o copo no meu ombro e a outra mão no ombro de Sônia.
Então este é o jovem que está namorando a minha filha? Onde é que está o seu copo? Não está bebendo nada? E o seu calção?
Sem esperar resposta tocou com o copo frio no meu braço, sorriu e afastou-se. Adiante parou para falar com um casal.
Eu estava morrendo de saudades, disse Sônia.
E o lagarto da beira do rio?
Sônia me olhou sem entender, por alguns segundos.
Ah! o lagarto. Papai mandou o caseiro matar, a mamãe morria de medo dele. Como é que você sabia que tinha um lagarto aqui?
Esta casa já foi minha, eu disse. Passei minha vida nela.
É mesmo? Que coisa mais engraçada. Nós compramos o sítio no ano passado.
Então foi de vocês que nós compramos?
Olhei seu rosto perfeito, saudável. Fizeram uma pulseirinha de relógio com a pele do lagarto?, perguntei.
Papai, vem cá, que coisa mais engraçada.
O pai de Sônia parou de conversar com o casal e se aproximou de nós.
Você não está bebendo nada, meu rapaz? Não quer um drinque?
Papai, você sabia que esta casa já foi do Zeca?
Não, não sabia, disse o pai de Sônia, eu não cheguei a conhecer ninguém da sua família, toda a operação foi feita através de um corretor, logo que chegamos de São Paulo. Soube do que aconteceu com vocês. A vida é assim mesmo. Mas vejo que você suportou bem os golpes. Vá botar o seu calção, rapaz. Arranja um drinque para ele, Sônia.
Outro sorriso, nova retirada. O pai dela não parava. Cem convidados.
Vocês fizeram uma pulseirinha com a pele do lagarto? ou uma sandália? ou foi uma carteira de notas para o papai banqueiro?
Meu bem, o que está acontecendo com você? Nunca te vi assim.
Estávamos andando por dentro do bosque, indo na direção do rio. Sônia havia colocado um roupão sobre a roupa de banho. Paramos em frente à cachoeira. Tirei o roupão de Sônia e coloquei-o no chão.
É pena que você não esteja de calção, podíamos tomar um banho de cachoeira, disse Sônia aflita.
Deita, eu disse.
Não, meu bem, por favor.
Agarrei os ombros de Sônia e sacudi o seu corpo.
Por favor, você está me machucando. Obriguei-a a deitar-se. Arranquei o seu biquíni. Vira de costas, anda.
Você acha que é assim que um homem trata a mulher que ele ama?
Cala a boca, eu disse, agarrando-a com força. Quando acabei, levantei-me e fui embora sem olhar para trás. Entrei no carro. Desci a serra velozmente. Queria ter coragem para jogar o carro num precipício e acabar com tudo. Mas apenas chorava. Duas vezes no mesmo dia! Que inferno estava acontecendo comigo?
Rubem Fonseca
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Mack The Knife
O tubarão tem lindos
Dentes, querida
E ele os mostra
Brancos como pérolas
Macheath tem só
Um punhal, querida
E ele o mantém
Bem escondido
Quando o tubarão morde
Com seus dentes, querida
Vagalhões escarlates
Começam a se espalhar
Macheath tem
Belas luvas, querida
Como você está?
E não há nunca
Vestígios de vermelho
Em uma calçada
No domingo de manhã
Jaz um corpo
Esvaindo-se
Alguém foge
Pela esquina
Poderia ser
Mack punhal?
De um rebocador
Lento no rio
Cai um saco
De cimento
Sabe que o cimento é
Por causa do peso, querida
Pode apostar que
Mackie está na cidade
Você soube o que
Houve com louie miller?
Ele desapareceu, querida
Depois de tirar
Toda a grana do monte
Agora macheath
Vive como marinheiro
Acha que nosso menino
Fez algo de errado?
Jenny diver,
Sookie taudry
Cuidado, pessoal
É lucy brown
A fila se forma
À direita, querida
Pois mack está
De volta à cidade
Jenny diver,
Sookie taudry
Cuidado, pessoal
É lucy brown
A fila se forma
À direita, querida
Pois mack está
De volta à cidade
Cuidado, mack
Está de volta.Bertold Brecht
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ninfeta
LOLITA, LUZ DE MINHA VIDA, LABAREDA EM MINHA
CARNE. MINHA ALMA, MINHA LAMA. LO-LI-TA: A PONTA DA LÍNGUA DESCENDO EM TRÊS SALTOS PELO CÉU DA BOCA PARA TROPEÇAR DE LEVE, NO TERCEIRO, CONTRA OS DENTES. LO-LI-TA.
PELA MANHÃ ERA LÔ, NÃO MAIS QUE LÔ, COM SEU METRO E QUARENTA E SETE DE ALTURA E CAlÇANDO UMA ÚNICA MEIA SOQUETE. ERA LOLA AO VESTIR OS JEANS DESBOTADOS. ERA DOLLY NA ESCOLA. ERA DOLORES SOBRE A LINHA PONTILHADA. MAS EM MEUS BRAÇOS SEMPRE FOI LOLITA.
SERÁ QUE TEVE UMA PRECURSORA? SIM, DE FATO TEVE. NA VERDADE, TALVEZ JAMAIS TERIA EXISTIDO UMA LOLITA SE, EM CERTO VERÃO, EU NÃO HOUVESSE AMADO UMA MENINA PRIMORDIAL. NUM PRINCIPADO À BEIRA MAR. QUANDO FOI ISSO? CERCA DE TANTOS ANOS ANTES DE LOLITA TER NASCIDO QUANTOS EU TINHA NAQUELE VERÃO. NINGUÉM MELHOR DO QUE UM ASSASSINO PARA EXIBIR UM ESTILO FLOREADO.
SENHORAS E SENHORES MEMBROS DO JÚRI, O ITEM NÚMERO UM DA ACUSAÇÃO É AQUILO QUE INVEJAVAM OS SERAFINS - OS DESINFORMADOS E SIMPLÓRIOS SERAFINS DE NOBRES ASAS. VEJAM ESTE EMARANHADO DE ESPINHOS.
de Vladmir Nabokov
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sábado, 31 de outubro de 2009
a prosa de sérgio rodrigues
A mulher de Botero
João Pontes, o escritor, olhou um dia pela janela ao lado de sua mesa
de trabalho, no nono andar de um edifício na Gávea, e viu na cobertura do outro lado da rua, bem à sua frente, entre vasos de planta, uma mulher de Botero. A visão o desagradou, como o desagradavam as mulheres de Botero. Mas logo João a decompôs numa ilusão de folhas amarelas e vasos escuros, tela nublada pela lâmina de vidro que tudo recobria, com seus reflexos e sombras.
Terminou por achar graça: a assombração era um incrível trompe-l’oeil produzido pelo acaso. Concentrou-se então no trabalho por mais meia hora – escrevia seu quinto romance, uma ficção histórica sobre o bando de Lampião – e, mal deixou o olho escapar pela janela atrás de um nome próprio, a palavra cardo, o adjetivo ressequido, lá estava a mulher de Botero outra vez.
Era uma visão súbita, perfeita, de uma nitidez que dava náusea. E de novo, o que era estranho, João a recebeu com a surpresa de um tapa na cara. Não conseguia estar preparado para a mulher de Botero.
Aquilo se repetiu por dias: olhar pela janela, tomar um susto ao ver a mulher de Botero a secar seu progresso penoso do outro lado da rua, como se dissesse: “Escritor? Pois sim…”, e perder mais uma vez o fio da meada de Virgulino, a pegada entre clássica e pop que buscava para o faroeste brasileiro que tinha na imaginação.
Aquela mulher de Botero era ainda mais desagradável do que a média das mulheres de Botero: xale preto, as mãos dois peixes inchados no colo preto, sorrisinho estúpido, o olhar entre frio e lunático – um olhar alienígena, com a hostilidade suprema da indiferença. Aquela coisa toda fofa, teratológica em seu balofismo. Misógina. E sempre chegando de tocaia. Duas semanas depois João parou de escrever.
O que o levou a tomar tal decisão foi o orgulho de autor: tinha perdido o controle da história. Às vezes achava agradável a sensação de estar à deriva em sua própria narrativa, ser levado por ela, mas só quando a direção era mais ou menos a que tinha planejado. E seus planos passavam longe do lugar onde estava agora. A coisa ia descambando de vontade própria de Quixadá para Querétaro: cada cena que lhe saía dos dedos, empurrada pela anterior e já puxando a seguinte, era de um realismo-socialista-quase-fantástico latino-americano de décima terceira categoria. Maria Bonita ficou enorme de gorda, os cangaceiros desenvolveram músculos de peão de Portinari, a luz amarela que tudo banhava era artificiosa, como se fosse de estúdio. Lampião, vanguarda do campesinato, organizava as massas e fundava sovietes. Parou.
Não tinha dúvida de que a culpa era da mulher de Botero. Pensou em atravessar a rua, descobrir o número do apartamento em que ela morava e interfonar. Soaria como um louco, mas, de certa forma, não era pedir tanto: será que a senhora se incomodaria de redecorar a cobertura só um pouquinho, um nada? Um vaso deslocado alguns centímetros seria o bastante para me restituir a felicidade.
Tímido, não atravessou a rua. Dizer o quê, sem soar ridículo: tem o fantasma de uma mulher gorda no seu jardim me impedindo de trabalhar?
Meses depois, já quase esquecido da mulher de Botero, tão acostumado estava a vê-la diariamente em seu habitat sombreado, reparou com uma vertigem que ela se fora. Na cobertura do outro lado da rua havia apenas vasos, folhagens – os centímetros de que precisava chegavam por obra do mesmo acaso que tinha engendrado o virago.
Seu primeiro impulso foi sorrir e pensar que voltaria à história engavetada de Lampião. Mas no instante seguinte ficou sério, sério e abatido, porque soube com clareza que voltaria à história de Lampião apenas para abandoná-la definitivamente logo depois – abandoná-la com tal fúria que só lhe restaria deletar qualquer traço de sua existência.
João compreendeu que era tarde, o livro exterminado: seu faroeste brasileiro era um aborto. E a mulher de Botero já nem estava lá para que ele pudesse mirá-la com ódio.
+ em Todoprosa
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OGRANDEIRMÃO
"Quer falar o que aconteceu em junho de 1998?"
Greg olhou para ele e disse. "Como?"
"Você colocou uma mensagem em alt.burningman3 em 17 de junho de 1998, sobre os seus planos para ir a um festival. Você perguntou 'São os alucinógenos assim tão nocivos?'"
O interrogador na sala de controle era um homem mais velho, tão magro que de frente parecia estar de lado. E de lado parecia ter ido embora. As suas perguntas iam muito além da curiosidade de Greg sobre alucinógenos.
"Fale-me sobre seus passatempos. Você gosta de aeromodelismo ou lançamento de réplicas de foguetes em miniatura?"
"O quê?"
"Foguetes em miniatura."
"Não," disse Greg, "Não, não lido com isto." Já imaginando o rumo que a conversa ia tomar.
O homem tomou umas notas e digitou qualquer coisa. "Pergunto isto porque vejo um grande número de anúncios relacionados a combústivel de avião nos resultados de suas pesquisas no Google e também no e-Mail."
Greg sentiu um aperto. "Você está vendo os resultados das pesquisas que fiz? Está acessando meu e-Mail?" Greg não tocava num computador há mais de um mês, mas sabia que o quer que tivesse introduzido naquele campo de pesquisa seria bem mais revelador do que tudo o que já tinha dito ao seu psiquiatra.
"Senhor, tenha calma, por favor. Não estou vendo suas pesquisas e nem acessando seu e-Mail”, disse o homem com seriedade. "Isto seria violação de privacidade e é anticonstitucional. Nós apenas vemos os anúncios que aparecem quando você lê seu e- Mail e faz pesquisas no Google. Tenho aqui um folheto da companhia que explica tudo. Poderá lê-lo quando terminarmos."
“Mas os anúncios não significam nada”, contestou Greg. “Eu recebo anúncios de termas toda vez que recebo por e-Mail notícias de uma amiga em meu celular. Ela fala muito de uma cadela que cuida desde filhote!”
O homem acenou em concordância. "Entendo. E é exatamente por isso que estou falando contigo. Porque acha que estes anúncios sobre combústivel de aviação aparecem tão frequentemente?"
Greg pôs os neurônios para funcionar. "Faça isto. Procure por clube do café". Ele era um membro bastante ativo do clube, ajudando-os a lançar o site e o serviço café-do-mês. A mistura que iam lançar chamava-se Jet Fuel4. "Jet Fuel" e "lançamento" – isso faria com que o Google enchesse a página com anúncios de combústivel para motores a jato e aviação.
Já estavam na reta final da entrevista quando o funcionário encontrou as fotos do Halloween. Estavam na terceira página dos resultados da busca por "Greg Lupinski".
"Era uma festa com o tema Guerra do Golfo," disse ele.
"E você está vestido de...?"
"Homem bomba", respondeu meio constrangido.
Dizer aquelas palavras era bastante comprometedor àquela altura do campeonato.
"Venha comigo, Sr. Lupinski," disse o agente.
Vi no Capacitor Fantástico.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Trecho do livro ‘No Sufoco’
Todos nós podemos passar a vida deixando que o mundo diga quem somos. Mentalmente sãos ou insanos. Santos ou sexólatras. Heróis ou vítimas. Deixando que a história nos diga até que ponto somos bons ou maus.
Deixando que o passado decida nosso futuro.
Ou então, podemos decidir por nós mesmos.
Chuck Palahniuk
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Frase (herege) para pensar:
Nessa época sempre acontece acidentes com fiéis voltando de Aparecida, nunca com bêbados voltando da Oktoberfest!
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Lizard
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domingo, 25 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Jornal dos EUA abre vaga para 'crítico de maconha'
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kadafhi
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